Missionária e família: veja quem são os denunciados pelo MP e as funções no esquema com o Comando Vermelho
Vida dupla do crime A missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, a mãe, as irmãs, o namorado e um primo foram denunciados pelo Ministério Público de...
Vida dupla do crime A missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, a mãe, as irmãs, o namorado e um primo foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso por envolvimento com uma estrutura ligada ao Comando Vermelho, em Cuiabá, e participação em um esquema de lavagem de dinheiro da facção. A denúncia foi apresentada na sexta-feira (11) e agora passará por análise na Justiça. Veja quem são os denunciados: Rhavenna Barcelos: apontada como uma das principais responsáveis pela comunicação entre presos e integrantes da organização fora das unidades prisionais e também teria participado da movimentação de dinheiro. Pastora Orminda Barcelos: mãe de Rhavenna, investigada por auxiliar na comunicação com presos, no recebimento de valores e na suposta lavagem de dinheiro. Renildo Silva Rios: namorado de Rhavenna, apontado como integrante da organização criminosa e teria sido uma das principais fontes dos valores. Rhuan Barcelos: primo de Rhavenna, acusado de guardar dinheiro em espécie e participar da distribuição dos valores. Anatany Nina: irmã de Rhavenna, responsável por realizar depósitos e movimentações bancárias. Lo Rhuama Barcelos: também irmã de Rhavenna, acusada de participar da movimentação dos valores e de receber benefícios financeiros e materiais. O g1 tenta localizar a defesa dos citados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Em julho, a família foi alvo Operação Fariseus, realizada pela Polícia Civil, que cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão contra Rhavenna. À época, a polícia descobriu que a missionária utilizava o projeto religioso "Resgatando Vidas" voltado ao atendimento de detentos para se aproximar de integrantes da organização, manter contato com presos e foragidos e facilitar a troca de informações. As condutas investigadas ocorreram entre 2024 e 2026 e descreve uma suposta estrutura familiar usada para receber, guardar, movimentar e ocultar dinheiro. Rhavenna Barcelos, Renildo Silva, Lo Rhuama Barcelos, Orminda Barcelos, Rhuan Barcelos e Anatany Nina Reprodução Para os investigadores, a atividade religiosa teria permitido que ela e a mãe, Orminda, tivessem acesso a presos de diferentes setores da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, a maior unidade prisional do estado. A denúncia sustenta que esse contato teria sido usado para levar e receber informações, atender pedidos de detentos e fazer a intermediação entre pessoas presas e integrantes da organização criminosa que estavam em liberdade ou eram considerados foragidos. O Ministério Público afirma ainda que mensagens e arquivos encontrados em contas digitais de Rhavenna indicariam contatos com pessoas apontadas pela investigação como integrantes da cúpula do Comando Vermelho em Mato Grosso. Entre os nomes citados na denúncia está Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como "Batman", apontado pelos investigadores como uma liderança da facção no estado. Segundo o MP, Rhavenna teria mantido relacionamento com ele e viajado ao Rio de Janeiro, onde teria circulado em áreas ligadas a integrantes da organização criminosa. A denúncia também cita contatos de Rhavenna com Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como "WT", e com Renildo Silva Rios, chamado de "Veio", "Velhote" ou "Chapa". A divisão de tarefas na família Da direita à esquerda: pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e a filha Rhavenna Barcelos de Almeida Reprodução Segundo o MP, a mãe de Rhavenna teria recebido e repassado valores, além de manter contato com presos. A investigação cita mensagens nas quais detentos tratariam Orminda como "mãe" e pediriam que ela guardasse valores ou levasse determinados objetos até a unidade prisional. Rhuan, primo de Rhavenna, é apontado como responsável por guardar dinheiro em espécie e entregar os valores quando solicitado. Já Anatany, irmã de Rhavenna, teria participado de depósitos e transferências. Segundo a acusação, a condição de funcionária de uma lotérica teria facilitado a movimentação de valores em diferentes contas. Lo Rhuama, outra irmã de Rhavenna, também é acusada de receber parte dos valores e de ser beneficiada por dinheiro e bens que, conforme o MP, seriam provenientes de integrantes da organização criminosa. A denúncia afirma ainda que os familiares utilizavam diferentes contas bancárias para movimentar o dinheiro e evitar que os valores chamassem a atenção das instituições financeiras. Os próximos passos O Ministério Público pediu à Justiça que a denúncia seja recebida e que os acusados sejam citados para apresentar defesa. O processo deverá seguir para a fase de instrução, quando as provas serão analisadas e testemunhas poderão ser ouvidas. A apresentação da denúncia não significa condenação. Os seis denunciados passam a responder às acusações na Justiça e têm direito à defesa e à presunção de inocência. Na peça, o MP pede que os denunciados sejam processados e, ao final, condenados pelos crimes que lhes são atribuídos. A acusação é baseada nos elementos reunidos durante a investigação policial e ainda será submetida à análise do Judiciário.